Anti-Haul e Durabilidade: Por que a TI precisa sair do escritório e entrar no chão de fábrica em 2026

O Gargalo: A Desconexão Venda-Produção

O gargalo principal é a desconexão completa entre a Venda (Varejo) e a Produção (Indústria/Private Label). Hoje, a informação sobre defeitos recorrentes fica presa no SAC ou em planilhas de logística reversa.

O sistema de PLM (Product Lifecycle Management) da engenharia raramente recebe esse feedback loop em tempo real. O resultado é que continuamos fabricando estoques de produtos que o cliente já sinalizou que são ruins.

O Impacto Financeiro da Má Qualidade

Essa desconexão gera um impacto devastador na linha de custos. Processar uma devolução custa, em média, três vezes mais do que processar uma venda. Em um cenário de margens apertadas, a má qualidade do produto é uma âncora que afunda o resultado líquido.

A TI tem um papel crucial aqui: criar a ponte de dados que conecta a reclamação do cliente na ponta final diretamente com a mesa do designer e do comprador na matriz.

A Solução: Passaportes Digitais e Rastreabilidade

Além da eficiência, a exigência por transparência impulsiona a adoção dos "Passaportes Digitais de Produtos" (DPP). Trata-se de usar tecnologias como Blockchain ou QR Codes serializados para rastrear toda a jornada do item, da matéria-prima ao pós-venda.

Isso não só comprova a origem sustentável (ESG), mas habilita novos modelos de negócio, como o Recommerce (revenda) e serviços de reparo.

O Novo Escopo do CIO

Para o CIO, isso significa expandir o escopo. A TI deixa de cuidar apenas do ERP e passa a integrar sistemas de IoT industrial e rastreabilidade da cadeia de suprimentos. Se a marca promete durabilidade, o sistema precisa provar isso.

Conclusão: Em 2026, a qualidade do seu produto é diretamente proporcional à qualidade dos seus dados. Modelos lineares (extrair-produzir-descartar) tornaram-se riscos financeiros. A tecnologia precisa sair do escritório e ir para o chão de fábrica resolver o problema na raiz.